CV

Local de Nascimento : São Paulo, Brasil
Nacionalidade : Franco-Brasileira

Estudos no Brasil:

Universitários :

  • Universidade de São Paulo – UNESP – Instituto de Artes do Planalto – (1978 – 1980 ), sob a direção de Michel Philippot (Composição), Beatriz Balzi (piano), Roger Cotte ( Historia da Música) e Françoise Cotte (Analise).
  • Equivalência Deug Mention Lettres & Arts – Faculdade de Musicologia – Sorbonne Paris IV.

Estudos Superiores na França :

  • Bolsista do Governo Francês (1980 – 1984).
  • Conservatório Regional de Paris (1981).
    • Analise, nível superior, 1° Menção (Félicitations du Jury).
    • Solfejo, nível superior, 1° Menção (Félicitations du Jury).
    • Instrumentação, nível superior, 1° Mention.
    • Harmonia, nível superior, 2° Prêmio.
  • Conservatório Nacional Superior de Música de Paris :
    • Classe de Composição, sob a direção de Claude Ballif (1982-1986).
    • Classe d’Analise, sob a direção de Claude Ballif (1982-1984) 2° Prêmio (1984).
    • Classe d’Instrumentação e Orquestração, sob a direção de Serge Nigg (1984-1986).
    • Classe d’Informática Musical sob a direção de David Wessel (1985).
  • Universidade de Paris-Sorbonne Paris IV : Licence d’Éducation Musicale (1982) – Menção Bien.
  • Estágios :
    • Estágio de Composição e Informática Musical na IRCAM (1984-1985).
    • Estágio de Composição de Música Contemporânea sob a direção Pierre Boulez (1984 – 1986).
    • Estágio de Composição sob a direção de Luciano Berio (Aix-en-Provence – 1985).
    • Estágio de Composição sob a direção de Franco Donatoni (Siena, 1985). 

Atividades Profissionais:

Ensino :

  • Professora de Educação Musical

Composição :

  • membro da SACEM desde 1998 (ver liste de obras compostas, interpretadas ou editadas).

Concertos mais importantes

 

Data Local Obras interpretadas
02/12/1995 Consulado Geral do Brasil, Marselha Retalhos
06/02/1996 Embaixada do Brasil, Paris Retalhos ; Onde andará
23/01/1997 Conservatório Paul Dukas, Paris Retalhos ; Cinco melodias Brasileiras
04/12/1997 Embaixada do Brasil, Paris Retalhos ; Seis Canções Americanas (E. Dickinson) ; Terra Vermelha; Seis Melodias Brasileiras; Liberté (Paul Eluard)
26/03/2000 Igreja Saint-Jean-Baptiste de Belleville, Paris Ave Maria;Lacrimosa; Missa Brevis
30/04/2000 Igreja Saint-Jean-Bosco, Paris Ave Maria ; Missa Brevis
14/05/2000 Igreja Saint-Roch, Paris Preghiera Semplice(soprano, alto et orgue) ; Missa Brevis
28/06/2000 Igreja Saint-Baudile, Neuilly sur Marne, França Preghiera Semplice ; Lacrimosa ; Ave Maria ; Missa Brevis
25/03/2001 Igreja Saint-Roch, Paris Missa Brevis (versão litúrgica)
26/05/2001 Igreja Saint-Thomas, Strasbourg, França Missa Brevis
27/05/2001 Abadia de Marmoutier, França Missa Brevis (versão litúrgica)
22/05/2005 Igreja Saint-Jean-Bosco, Paris Requiem
29/05/2005 Temple de Pentemont, Paris Requiem
08/10/2005 Igreja Notre-Dame de l’Espérance, Paris Requiem
25/03/2006 Igreja Saint-Paul Saint-Louis, Paris Requiem
20/01/2007 York Minster, Inglaterra Carillons d’York
03/07/2007 Igreja de St Oswald, Durham (Inglaterra) There the soul dwells
23/05/2009 Templo de Salin, Toulouse Requiem (CFA de Toulouse e Bremen, maestro Jacques Michel)
31/10/2009 Igreja St. Stéphane, Bremen (Alemanha) Requiem (CFA de Toulouse e Bremen, maestrina R. Popescu)
21/06/2013 Igreja Saint-Roch, Paris Missa Brasileira(Conservatório Georges Bizet, maestro L. Saudain)
14/03/2015 Chapelle Saint-Anne, Toulouse Messe Brasileira, Retalhos, Preghiera Semplice, There the soul dwells (CFA de Toulouse, direction J.Michel)
30/06/2018 Hoffnungskirche Pankow, Berlin Messe Brasileira, Retalhos, Fruto exotico, Die Seligpreisungen (Choeur Hoffnungskirche, dir. Michael Geisler
08/12/2018

09/12/2018

Hoffnungskirche Pankow, Berlin Messe Brasileira, Retalhos, Fruto exotico, Die Seligpreisungen, Habe Dank, Prélude, Chacona Latina, Tempo de Natal, Ich stehe an deiner Krippen hier (Choeur Hoffnungskirche, dir. Michael Geisler

  

Lista de composições

 

Opera Rock

 Germinal (inspirado de Germinal d’Emile Zola), texto de H. Fleury et S. Milanezi

Musique Sacra

Cantique des créatures(coro de crianças e órgão)

Lacrimosa(soprano e órgão)

Ave Maria(mezzo-soprano e órgão)

Pater Noster(coro de crianças e órgão)

Psaumes 23 et 121(coro de crianças e órgão)

Preghiera Semplice(coro de crianças e órgão) (2014 : nova versão para coro SATB, piano, dois trompetes e dois violoncelos)

Missa Brevis(soprano e tenor solistas, coro SATB, órgão e violoncelo)

Requiem(Soprano e Barítono solistas, coro SATB e órgão)

Vespri  e Inni di San Pier Damiani(2 coros e órgão, 1°Menção no Concurso Creator Faenza)

There the soul dwells(coro SATB e órgão, 1°Prêmio no Concurso de Composição organizado pela Anglican Association of Musicians  (2014 : nova versão para coro SATB, piano e dois violoncelos)

Vergine Madre(coro SATB a capella), texto de Dante Alighieri

Missa Brasileira(versão para coro à três vozes, violoncelo e órgão)

Missa Brasileira(versão para coro SATB, dois contrabaixos e órgão)

Missa Brasileira(2013 : nova versão para coro SATB, coro de crianças, piano, dois trompetes e dois violoncelos)

Missa Brasileira(2018 : nova versão para coro  SATB, e orquestra de câmera)

Die Seligpreisungen (2018 : para coro SATB e orquestra de câmera)

Ich stehe an deiner Krippen hier (2018 : para coro SATB e orquestra de câmera)

NB :Preghiera Semplice, There the soul dwellset Requiemsão editadas pelas Editions à Coeur Joie.

Outras músicas corais

  • The Dead, texto de Ruppert Brooke, para soprano, trompete, coro SATB e órgão. Finalista do concurso de composição lançado em 2011 por Recital Music (Inglaterra).  A obra foi editada em novembro de 2011.
  • This England, texto de Shakespeare, para coro SATB, órgão.
  • American Songs, textos d’Emily Dickinson, para coro feminino e piano: Ample, Wild Nights, Fate, The sea, Nature.
  • Tempo de Natal, para coral SATB e orquestra de câmera.

 

Canções para voz feminina solista e piano, textos de Emily Dickinson : 

Emily  227*

In vain  640

It’s like the light 297

Solitude  1695

The sea  695

The signal woe135 and 167

The windman436

Ample  829

The letter  494

Returning  609

Pressentiment  764

T’s this  673

Ghosts  670

What if  177

T’was such  107

If you were coming 511

Nature  790

Wild nights 249

To know  622

Day’s parlor 

 Fate  1523

Fame  1763

*Segundo numerotação da edição  de Thomas Johnson, The Complete Poems, London-Boston, 1975.

Canções para voz solista e piano, baseada em textos de diversos autores:

Textos de Rudyiard Kipling :

Boots

Mother O’Mine

If

Textos de Christina Rossetti :

Remember

Echo

Sappho

 

Textos de Sara Teasdale :

Let it be forgotten

I am wild

Texto de Paul Eluard :

Liberté

Texto de Paul Claudel :

Kyrie

 

Textos de de Renée Vivien :

 Chanson

 Ondine

 Chanson pour mon ombre

 

Textos de La Fontaine :

La cigale et la fourmi

Le corbeau et le renard

Texto de Rainer Maria Rilke :

Der Panther

Texto de Pablo Neruda :

De las estrellas

Texto de Amado Nervo :

Vida

Texto de Josefina Plà :

Pelando las palabras

Texto de Carlos Drummond de Andrade :

Cançao Flautim

Texto de Cecilia Meirelles :

Desenho

Textos de Plinio Negreiros :

Trois Mélodies Brésiliennes

Textos de de S. Milanezi :

Amanhecer

À beira amor

Pétalas de março

Textos de S. Milanezi et H. Fleury :

Lygia

Fruto Exótico

Onde andará

Átomos, semi-deuses

Tudo por Paris

Música instrumental

Variações sobre o Hino Nacional Brasileiro(piano)

Retalhos (contrabaixo e piano) (2014 : nova versão para dois violoncelos e piano)

Terra vermelha(viola, contrabaixo e piano)

Carillons d’York(sinos e órgão, 1° Prêmio no Concurso lançado por York Spire)

Briseur d’images(música orquestral)

Sonata para piano

Quarteto de cordas

Vom Lichte getragen(Contralto e Orquestra de Câmera)

Duettino(Violino e Piano)

France-Brésil(piano)

Petit matin(flauta e piano)

Habe Dank(orquestra de câmera)

Chacona Latina (dueto para dois violinos)

Prélude (dois violinos e dois violoncelos)

 

Heloisa Fleury

Héloisa Fleury é uma compositora franco-brasileira, nascida em São Paulo em 1959.

Tendo evoluído numa família de amadores de música, ela ficou conhecida em primeiro lugar pelos seus dons literários, ganhando o primeiro prêmio do Concurso de Redação lançado pela « Folha de São Paulo », o que lhe valeu uma viagem aos Estados Unidos, já aos dez anos de idade. Essa facilidade literária e sua paixão pela poesia vão levá-la a se aproximar da música vocal, tanto sacra quanto profana. Héloisa Fleury não hesitará em escrever uma parte dos textos que põe em música, e o melhor exemplo é sem duvida nenhuma Germinal, onde transforma o romance de Zola em Opera Rock!

No entanto, seus estudos musicais começam relativamente tarde, devido ao custo exorbitante das aulas de piano na época ! Por isso, só pode começar a aprender música aos oito anos. A partir dessa época, compõe e apresenta publicamente suas músicas.

Aos onze anos, entra no Conservatório Mozarteum de São Paulo. Nesta instituição, a sua professora de piano é Beatriz Balzi, argentina, aluna de Ginastera. E é ela que vai dar todo o apoio à carreira pianística de Heloisa Fleury. Assim ela acumula muitos prêmios nos concursos nacionais de piano, sempre se interessando à composição e à música contemporânea, graças à implicação de Beatriz Balzi na avant-garde musical brasileira.

Aos 18 anos Heloisa Fleury entra na Universidade de São Paulo, na classe de piano de Beatriz Balzi e na de composição de Michel Philippot, célebre compositor francês que, sendo casado com a pianista Anna-Stella Chic — grande especialista de Villa-Lobos, dividia sua vida entre o Instituto de Artes do Planalto (UNESP) e o Conservatório de Paris (CNSM). Este célebre casal de músicos, assim como Roger e Françoise Cotte, respectivamente professores de Historia da Música e de Analise Musical na mesma universidade, são de fato precursores de uma nova pedagogia musical em São Paulo, dedicada à pesquisa, à composição e execução da música contemporânea no Brasil. Graças a esses professores, Heloisa Fleury e seu colega, José-Augusto Mannis, hoje diretor do CDMC (Centro de Documentação de Música Contemporânea) em São Paulo, obtém uma bolsa de estudos do Ministère des Affaires Étrangères Français.

É assim que Heloisa Fleury chega em Paris, no outono de 1980. No seu primeiro ano em solo francês, ela estuda no Conservatoire Inter-Arrondissement de Paris (hoje CRR), obtendo Prêmios Superiores em Solfejo, Analise, Harmonia e Instrumentação e preparando-se para entrar no CNSMP. No ano seguinte entra no CNSMP e segue o curso de Composição e Analise com Claude Ballif, assim como Orquestração com Serge Nigg e Informática Musical com David Wessel. Ao mesmo tempo, obtém uma Licença em Musicologia na Sorbonne, Paris IV. Quanto à sua carreira de piano, um acidente vai impedi-la de entrar na classe de piano do CNSMP.

Esse período de estudos foi marcado por uma intensa atividade composicional em música contemporânea, cujos exemplos mais representativos são Trois mélodies brésiliennes (sob textos de seu próprio pai, Plinio Negreiros), Sonata para piano, Quarteto de cordas, Briseur d’images (música orquestral), e Vom Lichte getragen (Contralto e Orquestra de Câmera, texto de Cyrille Drairg). É também a época dos grandes estágios na l’IRCAM e no Collège de France com Pierre Boulez, assim como em Aix-en-Provence, com Luciano Berio ou ainda em Sienne, com Franco Donatoni.

Em 1986, em pleno ensaio geral de Vom Lichte getragen na Maison de la Radio France, Heloisa Fleury decide de anular a execução de sua obra, julgando inadmissível a “leitura publica” de sua partitura a apenas algumas horas antes do concerto! Ela decide de abandonar o CNSMP e vive uma crise existencial e musical — aliás confundida com a morte de seu pai.

Um longo silêncio musical se instala, cortado somente pelo ensino da música que a compositora oferece numa escola à Bagnolet, periferia de Paris. Neste estabelecimento, as exigências e as realidades musicais são outras, fazendo-a evoluir diferentemente. Em companhia de seus alunos, às vezes saídos de um contexto desfavorável, ela explora um repertorio de músicas modernas que lhe parecia até então desprovido de interesse, indo até compor com eles uma comédia musical “Une journée à Saint-Joseph”.

Em setembro de 1988, Heloisa Fleury obtém uma transferência para a Ecole des Francs-Bourgeois, no bairro do Marais, em Paris. Nesse estabelecimento de prestigio, ela vai descobrir o universo dos Frères des Ecoles Chrétiennes — Les Frères Lassaliens, que vão estimulá-la a compor música sacra. Foi assim que ela deixou o seu luto musical, assumindo uma nova identidade de compositora de música vocal, sacra ou profana. Isso porque além de uma grande quantidade de cantos sacros, tais Le Cantique des créatures, Lacrimosa, Ave Maria, Pater Noster, Psaumes 23 et 121 e Preghiera Semplice, Heloisa Fleury escreve canções brasileiras, sob seus próprios textos ou em parceria com Silvia Milanezi, helenista e grande amiga: Amanhecer, À beira amor, Pétalas de março, Lygia, Fruto Exótico, Onde andará e Átomos, semi-deuses.

Em seguida, será o período do ciclo de canções sob textos de Emily Dickinson (Emily, In vain, It’s like the light, Solitude, The sea, The signal woe, The windman, Ample, The letter, Returning, Pressentiment, T’s this, Ghosts, What if, T’was such, If you were coming, Nature, Wild nights, To know, Day’s parlor, Fate, Fame), de Rudyard Kipling (If, Mother o’mine, Boots), de Paul Claudel (Kyrie) ou de Rainer Maria Rilke (Der Panther).

Sua música volta novamente à cena, primeiro em 1996, com uma “œuvre de commande” do contrabaixista Thierry Barbé e da pianista Margaret Fazoline, sua amiga “de infância”, tendo percorrido junto com ela praticamente os mesmos caminhos musicais, desde o Instituto de Artes do Planalto de São Paulo. Trata-se de Retalhos, um duo para contrabaixo e piano — uma espécie de medley folclórico brasileiro. Essa obra obtém um grande sucesso, numa tournée de concertos organizada pela Embaixada e Consulado do Brasil na França. Com Jean-François Benattar, o duo vira trio, numa nova composição intitulada Terra Vermelha. Em 1998, Heloisa Fleury sobe se produz na cena parisiense, cantando e tocando o ciclo de canções de Emily Dickinson, assim como o ciclo brasileiro, enriquecido de Canção Flautim, texto de Carlos Drummond de Andrade, Fruto Exótico, texto de Heloisa Fleury e Silvia Milanezi e, finalmente, Liberté, texto de Paul Eluard.

A compositora assume definitivamente seu novo estilo, tendo atravessado um período de mutação muito difícil, de mais de dez anos, abandonando definitivamente a razão pela qual ela cresceu e acreditou, pela qual ela veio estudar na França e tanto lutou : a música contemporânea. À partir dessa data, Heloisa Fleury decide criar um espaço para exprimir a sua nova verdade, sua fé em Deus, no ser humano, sua fé em centenas de jovens que a circundam e, segundo ela, a fazem crescer. Aliás, seus alunos admiram suas composições e não hesitam em interpretá-las.

Em 1999, Loïc Métrope, que dirige as Heures Musicales de St Roch, abre à Heloisa Fleury as portas dessa igreja para a apresentação de sua Missa Brevis, obra composta para os 150 anos des Francs-Bourgeois. A obra será regida por Laurent Saudain e Hubert Dennefeld e interpretada pelo Coral Georges Bizet de Paris e pelo Coral Du Centre Rhénan de Formation Musicale de Strasbourg. A création da Missa Brevis ocorre em maio 2000, na Igreja St Roch, seguida de uma tournée de concertos, em Paris (Saint-Jean-Baptiste de Belleville, Saint-Jean-Bosco), em Strasbourg (Saint-Thomas) e na Abadia de Marmoutier, em versão litúrgica. Mais tarde, ela voltará à St Roch, em verão litúrgica.

Uma releitura do célebre Germinal de Zola impressiona Heloisa Fleury, que decide criar uma versão lírica, numa linguagem mais moderna — uma opera-rock. A composição da música se faz em um ano, numa adaptação que lhe é própria. Mais tarde, sob a orientação de Jean-Sébastien Macke, especialista de Zola, ela escreve o libreto, em colaboração com Silvia Milanezi. Henri Mitterand, o grande biografo de Zola escreve uma critica muito positiva sobre o novo texto “audacieux et à la fois très fidèle à Zola”. A obra, de mais de duas horas, para vozes solistas, dois coros SATB, sendo um atonal, além de uma instrumentação extremamente complexa, ainda está à espera de uma mise en scène digna do grande escritor francês.

Em seguida, vem o período de composição de um ciclo de canções sob textos de escritoras de renome internacional. De Christina Rossetti, Remember, Sappho, Echo ; de Sara Teasdale, Let it be forgotten, I am wild ; de Josefina Plà, Pelando las palabras ; de Renée Vivien, Chanson, Ondine, Chanson pour mon ombre e de Cecília Meireles, Desenho.

Em 2003, a morte de um de seus familiares abala mais uma vez sua família. É assim que do seu longínquo “exílio”, Heloisa Fleury tenta ultrapassar o seu horror da morte, num grito desesperado em busca de renascimento. Escreve então seu Requiem, para Soprano e Barítono solistas, coro SATB e órgão, de aproximadamente uma hora. Requiem foi executado por Laurent Saudain e pelo Coral Georges Bizet de Paris, na Igreja Saint-Jean-Bosco, em Paris, em maio 2005 e reinterpretado no Templo de Pentemont, assim como nas igrejas Notre-Dame de l’Espérance e Saint-Paul Saint-Louis, sempre na capital francesa.

Em 2007, Heloisa Fleury se lança em concursos de composição, dos quais sai sempre recompensada. Um primeiro lugar com Carillons d’York, no concurso lançado por Spire, o grande espetáculo som e luz de York Minster (Catedral de York), na Inglaterra. Recebe outro primeiro prêmio no concurso lançado pela Association of Anglican Musicians, com There the soul dwells, para coro SATB e órgão, texto de Catharina de Sienna, traduzido em inglês. Essa obra é executada em Durham, Inglaterra, em julho de 2007, na Conferência Internacional dos AAM. Pouco depois, ela obtém a primeira menção no Concurso Creator Faenza, na Itália, com Vespri e Inni di San Píer Damiani, para dois coros SATB e órgão. No mesmo ano, ela compõe Vergine Madre, para coro SATB a capella, texto tirado da Divina Comédia de Dante Alighieri.

Em 2008, Heloisa Fleury compõe Missa Brasileira para coro de crianças à três vozes, violoncelo e órgão, obra baseada no folclore e rítmica brasileiros. Essa obra é composta ao mesmo tempo que Heloisa Fleury obtém a cidadania francesa, em novembro de 2008 — uma bela coincidência que confirma a harmonia de um estilo franco-brasileiro.

De outra parte, os corais franco-alemães (Choeur Franco Allemand) de Toulouse e de Bremen, dirigidos por Jacques Michel e Rucsandra Popescu fazem renascer o Requiem, no 23 de maio de 2009, no Templo de Salin em Toulouse e no 31 de outubro, na igreja São Estevão de Bremen, na Alemanha.

No verão de 2011, Heloisa Fleury compõe The Dead, texto de Rupert Brooke, para um concurso de composição lançado por Recital Music, em Somerset, Inglaterra. A obra é finalista e o organizador, David Heyes, decide de editá-la.

Desde setembro de 2011, Heloisa Fleury ensina escola La Bruyère Sainte Isabelle, em Paris, onde participa ativamente da vida musical do estabelecimento, tanto na organização e preparação de concertos, quanto na criação de grandes projetos musicais, ligados à comédia musical, tais como Sister Act III e Que primavera incrível !

Paralelamente, Heloisa Fleury prepara uma nova versão da sua Missa Brasileira, para coro SATB, coro de crianças, dois trompetes, dois violoncelos e piano. A obra é regida pela primeira vez pelo maestro Laurent Saudain e interpretada pelo Coro Georges Bizet na Igreja Saint-Roch, no 21 de junho de 2013. O Choeur Franco-Allemand de Toulouse, dirigido por Jacques Michel pretende realizar um concerto em março 2015, incluindo, além da Missa Brasileira, outras adaptações de Retalhos, Preghiera Semplice e There the soul dwells.

Fiel ao seu duplo percurso musical, Heloisa Fleury afirma que a composição e o ensino da música são absolutamente compatíveis, e mesmo complementares : “a energia que você oferece no ensino da música volta em dobro quando você compõe”.